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ANÁLISE ORIGINAL / 01

O Brasil pode colher todo o trigo que consome?

O país é uma potência agrícola, mas depende de trigo importado. Nosso estudo investiga quanto o Cerrado pode contribuir — e o que muda quando entram na conta a água, o clima e os preços.

Comece pelos números ↓Artigo científico ↗
A GEOGRAFIA DO TRIGOBrasil · 2021
Área plantada de trigo por município em 2021. O cultivo se concentra no Sul; Cristalina, GO, e Passo Fundo, RS, estão marcados.

Um cultivo concentrado no Sul. Uma possibilidade de expansão no Cerrado.

Mapa original TEMPO · área plantada, PAM/IBGE 2021 · malha municipal 2024.

O PONTO DE PARTIDA4,5 milhões t

Importações anuais médias de trigo entre 2013 e 2023.

A POSSIBILIDADECerrado

Expandir o cultivo em áreas já agropecuárias, considerando água, manejo e viabilidade econômica.

A QUESTÃO CENTRALAutossuficiência

O desafio envolve a estabilidade da oferta ao longo dos anos, além do volume colhido em uma safra.

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Uma boa safra aproxima.
A média revela o desafio.

Entre 2013 e 2023, o Brasil produziu, em média, 6,6 milhões de toneladas de trigo por ano, para um consumo de 11,1 milhões. O estudo informa importações anuais médias de 4,5 milhões de toneladas.

Em 2022, a produção chegou a 10,5 milhões de toneladas, diante de uma demanda de 11,5 milhões. A distância foi menor, mas esse resultado não elimina a exposição à variação do clima e dos preços nos anos seguintes.

O tamanho da diferença

Médias anuais · 2013–2023

Produção
6,6 Mt
Consumo
11,1 Mt
4,5 milhões t

de importações por ano, em média

Importações médias anuais informadas no artigo. Valores históricos, não uma estimativa para a safra atual.

Gráfico TEMPO com valores informados em Nóia Júnior et al. (2024). Mt = milhões de toneladas.

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O trigo encontra dois ambientes muito diferentes.

A produção brasileira está fortemente concentrada no Sul. No Cerrado, a elevada radiação e as temperaturas de inverno favorecem o potencial produtivo, mas a estação seca muda as exigências de água e o calendário de cultivo.

A comparação entre Cristalina, em Goiás, e Passo Fundo, no Rio Grande do Sul, mostra por que o mesmo pacote de manejo não descreve as duas regiões. No Cerrado, adiar a semeadura pode reduzir a exposição à brusone, mas também deslocar fases sensíveis para meses mais secos.

DOIS TERRITÓRIOS, DOIS REGIMES CLIMÁTICOSClique para ampliar ↗
Figura 1 do artigo. Mapa de área plantada em 2021; temperatura e precipitação mensais de 1981–2022, NASA POWER. Reproduzida de Nóia Júnior et al. (2024). Achieving wheat self-sufficiency in Brazil. Environmental Research Letters 19, 031003. DOI 10.1088/1748-9326/ad26b8. CC BY 4.0.
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A água muda a área necessária.

Ao combinar demanda, clima e resposta da produção sulista ao preço do trigo, o estudo estimou a área adicional necessária no Cerrado. No cenário de preço médio, pelo menos 0,5 milhão de hectares irrigados poderiam atender a demanda até 2035. Em sequeiro, seriam necessários mais de 2 milhões de hectares.

Essa diferença depende das produtividades assumidas: 9,0 t/ha no sistema irrigado e 2,6 t/ha no sequeiro. São premissas do exercício, não uma produtividade garantida para qualquer propriedade.

COM IRRIGAÇÃO≥0,5 milhão ha

Área adicional de trigo irrigado no Cerrado para atender a demanda até 2035, no cenário de preço médio do estudo.

Cada quadrado representa 0,5 milhão de hectares.

EM SEQUEIRO>2 milhões ha

Mais de dois milhões de hectares adicionais se a expansão ocorrer sem irrigação, sob as mesmas premissas de preço.

Quatro quadrados completos e uma extensão aberta.

QUANTO CERRADO ENTRA NESSA CONTA?Clique para ampliar ↗
Figura 2 do artigo, com legenda explicativa em português. Verde: sequeiro; azul: irrigado. As linhas representam o cenário de preço médio. As faixas coloridas representam a variação associada aos cenários de preço do trigo no Sul, e não intervalos estatísticos de confiança. Projeção publicada em 2024, não atualização para 2026. Nóia Júnior et al. (2024). Achieving wheat self-sufficiency in Brazil. Environmental Research Letters 19, 031003. DOI 10.1088/1748-9326/ad26b8. CC BY 4.0.
O QUE ISSO AJUDA A DECIDIR

Autossuficiência exige mais que hectares.

A interpretação da TEMPO é que a expansão precisa ser avaliada junto com o risco de produção e a capacidade de sustentar o investimento.

  • Para a produção: combinar época de semeadura, disponibilidade de água, cultivares e risco de doenças.
  • Para crédito e investimento: testar o projeto com diferentes preços, custos de irrigação e produtividades.
  • Para políticas públicas: priorizar áreas já agropecuárias e pastagens degradadas, com prevenção do desmatamento.

O estudo oferece cenários para essa discussão. A viabilidade hídrica, ambiental e econômica precisa ser verificada em cada região.

FONTES E MÉTODO

Da pesquisa
para esta análise.

Nóia Júnior et al. (2024). Achieving wheat self-sufficiency in Brazil. Environmental Research Letters 19, 031003. DOI 10.1088/1748-9326/ad26b8. CC BY 4.0.

Texto e gráficos editoriais TEMPO: síntese em português dos resultados publicados. O mapa de entrada foi produzido novamente pela TEMPO a partir da PAM/IBGE, tabela 5457, variável 8331, área plantada de trigo em 2021; não foi extraído da figura do artigo. Consultar dados do mapa ↗.

Premissas e limites

As médias e projeções permanecem nos períodos e cenários do artigo de 2024. As curvas originais não foram recalculadas nem atualizadas. A projeção considera demografia, consumo, preço e impacto climático no Sul; assume produtividades fixas para os sistemas de trigo no Cerrado. Os dados brutos da projeção são disponibilizados pelos autores mediante solicitação, segundo o artigo.

Figura da pesquisa